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Acusado de matar e estuprar mulher durante caminhada em Arapiraca é condenado a 67 anos de prisão

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O Tribunal do Júri de Arapiraca condenou na quarta-feira, 4, o réu Anderson Gonçalves a 67 anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver contra Cícera Laura da Silva, de 47 anos, em janeiro de 2026.

O julgamento ocorreu na 5ª Vara Criminal do Fórum de Arapiraca e foi presidido pelo juiz Alberto Almeida, que fundamentou a pena fixada destacando que “o indivíduo possui periculosidade concreta”. O réu, de 31 anos, é natural do Rio Grande do Sul e reincidente na prática de crime contra a dignidade sexual, além de registrar condenação anterior por roubo no estado de origem.

O crime ocorrido em 4 de janeiro de 2026 quando Cícera saiu de casa por volta das 4h30 para caminhar no Bosque das Arapiracas — hábito que mantinha para combater a depressão. Diante da inércia e falhas operacionais das forças de segurança locais, a própria família realizou as buscas e colheu as provas cruciais.

Wesley Silva Santos, filho da vítima, e parentes conseguiram gravações de câmeras de segurança mostrando quando o criminoso abordou e empurrou a vítima para uma área de mata às 5h07, saindo do local cerca de uma hora depois. Os familiares entregaram o material à polícia e acionaram o Corpo de Bombeiros, que localizou o corpo da vítima em avançado estado de decomposição e seminua da cintura para baixo.

Durante o depoimento no plenário, a dor dos familiares e o desamparo institucional marcaram a sessão. O filho da vítima relembrou a saga percorrida pelos parentes para solucionar o desaparecimento.

“Fomos à delegacia e disseram que só podia fazer o BO com 24 horas e começar a procurar após as 72 horas. E nós não quisemos esperar. Saímos procurando na região e, nas câmeras, vimos quando esse projeto de ser humano puxou minha mãe para o bosque. Minha mãe era uma pessoa boa, não sei como se faz uma perversidade dessa.”, disse Wesley Silva Santos, filho da vítima.

Ao responder aos questionamentos da promotoria sobre o impacto da perda, o filho destacou a devastação emocional da família: “Acabada, inclusive vivo me perguntando e se eu estivesse com ela? Minha mãe era tudo para mim, todos que me conhecem sabem do nosso relacionamento. Minha mãe vivia para a família, a única coisa que ela fazia sozinha era a caminhada”.

Diante do relato sobre as recusas e entraves da Polícia Militar e Polícia Civil, a promotora de Justiça Viviane Farias prestou solidariedade pública no tribunal: “Quero me solidarizar com o senhor, receba minha indignação pelas falhas das instituições que deveriam cumprir seus papéis enquanto representantes do Estado”.

Na sustentação oral pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), a promotora Viviane Farias assumiu o caso como única representante feminina da promotoria local e ressaltou o desprezo que o réu demonstrava pelas mulheres, citando depoimentos de testemunhas que relataram importunações sexuais prévias cometidas por ele na mesma região.

“É muito difícil ser mulher no dia de quarta-feira (4), somos julgadas por tudo. A dona Cícera, como eu, saía de madrugada para se exercitar, usava as atividades para se afastar da depressão. E foi brutalmente estuprada e assassinada. […] Essa família sofreu várias violências, sofreu quando o Estado falhou e os filhos tiveram que ir atrás do algoz. Quero dizer aqui que quando uma mulher morre, todas nós morremos um pouco. […] Quando a família ainda espera o julgamento, é como se a tampa do caixão ainda estivesse aberta e somente com a condenação, a tampa do caixão será fechada e a dona Cícera enterrada dignamente.”, explicou Viviane Farias, promotora de Justiça.

A assistente de acusação, advogada Lívia Azevedo, apresentou ao Conselho de Sentença as gravações coletadas pelos familiares e reiterou a crueldade da abordagem em plena luz do dia.

“Nós sempre temos a ideia de que mulheres podem estar vulneráveis e possam ser vítimas de predadores como este, em lugares ermos. Mas vimos que a dona Cícera foi abordada com o dia claro, com o sol a pino. […] Havia a intencionalidade de levar a vítima a um lugar ermo para tirar a sua vida e passou uma hora com ela dentro da mata. Confesso que, a primeira coisa que me surgiu à época foi pensar em minha sogra que tem praticamente a idade da dona Cícera e adora fazer caminhada. Eu fiquei aterrorizada.”, explicou Lívia Azevedo, assistente de acusação.

A defesa do acusado, exercida pelo defensor Marcos Freire, buscou desqualificar os crimes de estupro e ocultação de cadáver, sustentando que os laudos periciais eram inconclusivos devido ao estado de decomposição do corpo e alegando ausência de aterramento do cadáver. No entanto, em réplica, a acusação exibiu imagens do local do crime mostrando a vítima desprovida de roupas íntimas e jogada em área de difícil acesso, convencendo os jurados a acolherem a tese acusatória integral e condenar o réu em todas as qualificadoras.

Texto: Alagoas 24 Horas. Publicado originalmente em Alagoas 24 Horas.

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