Por que o vereador será decisivo em 2026?
O VALOR DO VEREADOR
Por Dêvis Klinger
Jornalista e Analista Político
A política brasileira costuma cometer um erro histórico: supervaloriza cargos e subestima pessoas. Em ano de eleição geral, como será 2026, a tendência se repete. Todos os holofotes se voltam para governador, senador e deputado. Mas a engrenagem que move a máquina eleitoral continua sendo a mesma de sempre, o vereador.

Nenhum projeto majoritário se sustenta sem base municipal. E base municipal tem nome, endereço e CPF. Essa base é construída, organizada e mobilizada pelo vereador.
É ele quem dialoga diariamente com a comunidade. Quem conhece as demandas reais do bairro. Quem ouve a bronca quando o asfalto não chega, quando falta iluminação pública, quando o transporte falha. Enquanto muitos aparecem apenas na época da campanha, o vereador convive com o eleitor o tempo inteiro.
Em 2026, como em todas as eleições, muitos candidatos vão procurar lideranças locais pedindo apoio. O discurso será sedutor. Promessas serão feitas. Tapinhas nas costas serão distribuídos. Mas a experiência mostra que boa parte desse entusiasmo dura apenas até o fechamento das urnas.
Por isso, valorizar o vereador é um ato de inteligência política.
O vereador não pode ser tratado como cabo eleitoral barato. Ele é o elo entre o poder público e o cidadão. É quem transforma intenção de voto em voto real. Sem o seu trabalho, santinho vira lixo no bueiro e campanha vira vento.
A parceria política precisa ser via de mão dupla. Apoio em 2026 deve se converter em benefícios concretos para o município, para o bairro e para a população que o vereador representa. Caso contrário, repete-se o velho roteiro de sempre: usa-se a liderança local na campanha e esquece-se dela no mandato.
É preciso mudar essa lógica.
Respeito não se pede, se impõe. E o vereador tem legitimidade para exigir tratamento à altura da sua importância. Quem organiza a base vira sócio do projeto político. Quem apenas corre atrás de candidato grande vira refém.
A democracia começa no município. E o primeiro rosto dessa democracia é o vereador.
Que 2026 seja o ano em que a política brasileira finalmente reconheça isso.
