O presidente do CRB, Mário Marroquim, comentou os desafios da gestão financeira do clube e as expectativas para a disputa pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Em entrevista à TV Gazeta de Alagoas, o dirigente destacou a importância de manter o equilíbrio entre receitas e despesas, defendeu a implantação do fair play financeiro no futebol brasileiro e ressaltou que a formação de um elenco unido pode ser mais importante do que investir em contratações de alto custo.
Levantamentos indicam que o Galo possui a menor dívida entre os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Marroquim reconheceu que manter esse cenário não é uma tarefa simples, principalmente diante do aumento das despesas com o futebol. Segundo ele, o custo da folha salarial dos atletas triplicou, enquanto as receitas não acompanharam o mesmo crescimento.
“Várias equipes têm dívidas maiores que não estruturadas quanto a gente. A estrutura que temos hoje é inegável, uma das melhores da Série B. A gente tem uma estrutura muito boa e uma dívida muito pequena. Não é fácil. Isso passa pelo controle de gastos no que diz respeito a contratações. Se eu não posso pagar, não adianta trazer. Não pode sucumbir ao desejo da torcida. Esse cuidado a gente tem de tentar se blindar para fazer o que é possível. A gente tem vivido momentos difíceis, principalmente com a pressão de salários. O nosso custo de operação de folha de atletas triplicou, mas a gente não triplicou receita”, explicou.
O dirigente também defendeu a implantação do fair play financeiro e destacou que o endividamento de grandes equipes é consequência de problemas acumulados ao longo de diferentes administrações. Para ele, os gestores precisam ter responsabilidade nas decisões e evitar que a pressão dos torcedores comprometa o planejamento financeiro.
“Um clube que tem dívida de R$ 200 milhões, R$ 300 milhões não vem de uma gestão, vem de uma sequência de gestões. O presidente que está entrando recebe uma herança difícil de resolver. A gente faz o que pode dentro do futebol e tenta não sucumbir a nenhuma pressão da torcida. O torcedor não está preocupado com como vai pagar, está preocupado que ganhe. Não me sinto injustiçado. Dentro da Série B, o CRB vai subir no dia em que der mais liga, não no dia em que montar o time mais caro. A gente não tem as maiores receitas, mora em um estado pobre, o tíquete médio é menor, o público que vai ao estádio é menor, o nosso estádio é menor. No dia em que equalizar isso e o elenco der liga, a gente vai subir”, afirmou.
Marroquim reforçou que a conquista do acesso depende da formação de um grupo comprometido e entrosado. Na avaliação do presidente, ter um elenco unido pode fazer mais diferença do que reunir jogadores caros que não correspondam às expectativas dentro de campo.
Novo formato da Série B
O presidente também avaliou positivamente as mudanças no regulamento da Série B, com a implantação dos playoffs para definir vagas de acesso à elite do futebol brasileiro. Para Marroquim, o novo formato aumentou a competitividade e manteve o interesse de clubes e torcedores até as rodadas finais.
“Esse novo modelo é um sucesso. A gente está a duas rodadas do fim, com quatro clubes brigando ainda por uma vaga. Essa ideia foi fantástica, valorizou bastante a Série B. Teremos um playoff que vai reacender e manter viva a audiência e o interesse dos clubes. Isso traz um tempero totalmente diferente. A gente acertou. O futebol brasileiro ganhou, a Série B acertou. Que vença o melhor, e que seja o CRB. Espero que a gente vá à Série A, é nosso desejo”, declarou.
Na sexta colocação da Série B, com 55 pontos, o CRB depende apenas dos próprios resultados para permanecer no G-6 e garantir a classificação para os playoffs. A equipe alagoana segue na disputa por uma vaga na elite do futebol brasileiro.
Texto: Gazetaweb. Publicado originalmente em Gazetaweb.
