A mãe do alagoano Fabrício Duarte, de 25 anos, morto durante uma missão na guerra entre Rússia e Ucrânia, fez um apelo aos jovens para que não se alistem em conflitos no exterior atraídos por promessas que, segundo ela, não correspondem à realidade enfrentada no campo de batalha. “Não se iludam. Não é nada do que prometem”, disse Waldynha Sonny Silva em um vídeo publicado nas redes sociais nesse domingo (11).
Natural de Olivença, no Sertão de Alagoas, Fabrício estava na Ucrânia desde julho de 2025. Ele morreu no último sábado (10), segundo informações repassadas à família. Agora, os parentes tentam obter ajuda para trazer o corpo ao Brasil e realizar o sepultamento no estado.
No vídeo, Waldynha relata o sofrimento com a perda do filho e conta que ele havia dito que voltaria para casa após cumprir uma última missão. A mãe afirma que Fabrício enfrentou situações difíceis durante o período em que esteve no conflito e pede que outros jovens não sigam o mesmo caminho.
“Meu filho só tinha 25 anos, cara. Tinha uma vida todinha pela frente”, desabafou.
Segundo informações repassadas por colegas de Fabrício aos familiares, ele teria sido vítima de uma emboscada de soldados russos em uma cidade no sul da Ucrânia. Ainda conforme esses relatos, o alagoano também teria sido atingido por uma mina e resistido por algum tempo após os ferimentos, mas não sobreviveu. Essas circunstâncias não foram confirmadas de forma independente.
Waldynha contou que o filho havia feito um curso militar na França antes de retornar à Ucrânia para participar da guerra. Segundo ela, a missão em que morreu seria a última antes de voltar para casa.
“Era a última missão que ele ia fazer. Ele disse que ia voltar para mim, para casa. E nessa volta aconteceu essa tragédia”, declarou.
A mãe também alertou sobre as condições que, segundo o relato do filho, ele enfrentou na Ucrânia. Ela disse que Fabrício contou ter passado fome, sido preso e precisado passar por uma cirurgia. Em outro momento, segundo ela, ele descreveu como um “inferno” a situação em que vivia com outros combatentes.
“Eles prometem, depois que você está lá, acabou. Botam vocês na linha de frente”, afirmou.
Família tenta trazer corpo para Alagoas
Além do luto, a família enfrenta dificuldades para recuperar o corpo e providenciar o traslado ao Brasil. Waldynha afirmou que uma filha entrou em contato com a embaixada da Ucrânia para buscar informações sobre os procedimentos, mas ainda não havia confirmação sobre a possibilidade de trazer o corpo de volta.
Segundo a mãe, a família não tem condições financeiras de arcar com os custos do transporte internacional e busca ajuda para conseguir realizar o sepultamento em Alagoas.
“Eu só queria meu filho, fazer um enterro digno para ele”, disse.
Durante o relato, Waldynha também falou sobre a dificuldade de aceitar a morte e a expectativa de rever o filho. Ela afirmou que Fabrício era brincalhão e que, mesmo diante das dificuldades, tentava demonstrar força para tranquilizá-la.
“Meu filho foi um guerreiro. Morreu guerreando. Mas a dor de uma mãe quando perde um filho, quem é mãe sabe”, declarou.
Texto: Gazetaweb. Publicado originalmente em Gazetaweb.
