InícioPolíciaMulher descobre financiamentos falsos em seu nome após simular compra de moto

Mulher descobre financiamentos falsos em seu nome após simular compra de moto

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Uma trabalhadora identificada como Luciana viu se transformar em pesadelo judicial e financeiro o sonho de comprar um veículo após ter seus dados pessoais usurpados por estelionatários. O crime ocorreu em Maceió, há pouco mais de dois meses, quando a vítima buscou uma loja de veículos para realizar a simulação de financiamento de uma motocicleta.

Apesar de não avançar no processo de compra do veículo na ocasião, Luciana descobriu meses depois que criminosos usaram as informações fornecidas para contrair empréstimos e financiamentos fraudulentos em seu nome.

Ao chegar à loja de veículos, Luciana seguiu os trâmites habituais exigidos pelos vendedores. Dias depois, o banco entrou em contato informando sobre pendências financeiras vinculadas à sua identidade.

“Chegando lá, o vendedor disse que pegasse meu documento para analisar o análise. Aí pelas parcelas eu não concorduei, aí eu vi para casa. O banco me ligou e tinha um financiamento no meu nome, sendo que eu não autorizei esse rapaz fazer algo no meu nome”, afirma Luciana.

A situação agravou-se quando a vítima descobriu que o próprio vendedor da loja também havia financiado uma motocicleta utilizando os dados vazados.

“O carro decretou que não fui eu, agora estou com esse problema com a moto, e ligar em sete sete dias, são um prazo que eles me dão”, desabafa.

De acordo com a Polícia Civil de Alagoas, crimes envolvendo fraudes e roubo de dados pessoais para obtenção de crédito ilegal têm apresentado alta na região. Os criminosos utilizam nome, CPF, fotos e documentos obtidos de forma ilícita para burlar sistemas de bancos e concessionárias.

O delegado responsável explica o impacto desse tipo de crime e a complexidade das investigações:

“É um caso de fraude onde os golpistas têm utilizado os dados que são fornecidos pelas vítimas para realizar empréstimos financeiros, consignados, enfim, movimentar contas bancárias e acabar estruturando essa fraude financeira”, disse a vítima.

Segundo informações do delegado Miguel Britto, responsável pela investigação do caso, em entrevista à TVPajuçara, o foco principal das investigações não recai apenas sobre a identificação dos autores materiais, mas também sobre a reparação patrimonial da vítima:

“Não adianta a gente apenas identificar o autor, a materialidade do crime, se a gente não conseguir restaurar o patrimônio da vítima. Então a gente tem essa preocupação, que é uma preocupação nossa importante, é um objetivo nosso, reestruturar esse patrimônio que foi dilapidado e que, por vezes, gera uma investigação muito complexa”.

As autoridades orientam os cidadãos sobre os passos imediatos ao identificar uma fraude e como redobrar os cuidados na entrega de documentos:

  1. Boletim de Ocorrência: A pessoa que suspeitar ou for vítima deve procurar imediatamente uma delegacia para registrar o B.O .
  2. Checagem de Vínculos: É fundamental confirmar a existência de empréstimos ou financiamentos diretamente com os bancos, financeiras ou por meio do aplicativo Registrato (vinculado à conta Gov.br), onde o cidadão consegue monitorar pendências em seu CPF .
  3. Medidas Administrativas e Judiciais: É possível acionar as instituições financeiras ou recorrer à Justiça para contestar valores e impedir cobranças indevidas decorrentes de estelionato .

“Pra gente se prevenir de golpes, é sempre muito importante a gente parar, a gente confirmar aqueles dados que a gente está cedendo, quem são aquelas pessoas para quem a gente sede os nossos dados, se existe realmente uma relação de confiança com a empresa, se é uma empresa verdadeira, se é uma empresa que já tem tempo de mercado ou não”, orienta o delegado.

Enquanto batalha judicialmente para limpar seu nome, Luciana deixa um recado de alerta para a população:

“Estou aqui mostrando a minha cara para todo mundo ouvir e saber que para outras pessoas não se passar por isso. E prestar atenção com documento, foto, biometria e essas coisas para não passar o mesmo caso que eu tô passando”.

Texto: Alagoas 24 Horas. Publicado originalmente em Alagoas 24 Horas.

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